A poesia de Gavinho Pinto é um espelho da sua alma: enraizada na sua terra, atenta à natureza e com o olhar sempre posto no horizonte do mar e da união entre os povos. Apresentamos aqui cinco poemas que servem como porta de entrada para o seu universo literário. Cada um revela uma faceta da sua sensibilidade e do seu profundo amor por Caminha e pelas suas gentes.
Minha terra meu poema
Minha terra meu poema
Meu rincão onde nasci
Minha alma chorou de pena
Quando me ausentei de ti
Já que me viste nascer
Daqui te peço a rezar
Um dia quando morrer
Quero em teu seio ficar.
Este poema encapsula o profundo vínculo do poeta com Caminha, a sua terra natal, e o seu desejo de nela repousar eternamente. É uma expressão de sentimentalismo e saudade, temas recorrentes na sua obra, e demonstra o seu “enraizamento na região de suas origens”
Acordai, corações da minha terra
Acordai, corações da minha terra,
Evitai destruir tanta beleza,
Preservemos com carinho
As águas do rio Minho,
A nossa mãe natureza.
Esta quadra ilustra a preocupação ecológica de Gavinho Pinto e o seu amor e apelo à preservação da natureza, especialmente das águas do Rio Minho. Ele é apelidado de “POETA DA NATUREZA” e a ecologia é uma das “cinco linhas de força” da sua escrita
Passarinhos da Galiza
Passarinhos da Galiza
Têm ninhos em Portugal
Os caminhos são os mesmos
E a paisagem é igual.
Este excerto reflete a visão de Gavinho Pinto sobre o Rio Minho não como uma fronteira divisória, mas como um “manto unificador” entre Portugal e a Galiza. Sublinha o universalismo da sua poesia, que transcende o local para abraçar a união entre povos e paisagens, sem “fronteiras”

Quem me dera ser gaivota
Quem me dera ser gaivota
Voar sempre nesta linha,
Para transportar Amor
Entre La Guardia e Caminha.
Esta estrofe demonstra a sua conexão com o mar e a navegação, bem como a sua capacidade de utilizar a imagem da gaivota para simbolizar a união e o transporte de sentimentos entre a sua terra e a vizinha Galiza. A “viagem de gaivotas” é um elemento natural presente na sua obra
Pequena nasceu Caminha
Pequena nasceu Caminha
Grande se tornou no mar
Foi berço de muita gente
Na arte de navegar.
Este poema destaca a identidade marinheira de Caminha e a sua importância como “berço” de navegadores, o que se alinha com a própria vida de Gavinho Pinto como Comandante de Navio da Marinha Mercante. Reflete a forma como a poesia dele “viaja na História para enraizar e fortalecer o apego ao quinhão querido”
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